Em memória Mestre Gigante conheça um pouco sobre o mestre e seus ensinamentos

Em memória Mestre Gigante conheça um pouco sobre o mestre e seus ensinamentos

  • 0 comentário(s)
Parece uma sina. Aconteceu com Bimba, Pastinha, Waldemar, Cobrinha Verde e, agora, com mestre Gigante. Francisco de Assis, 95 anos, o pequeno gigante da capoeira, morreu nesta segunda-feira (30), da mesma forma que os outros, na pobreza, sem o devido amparo e reconhecimento governamental.

Aluno de Cobrinha Verde, mestre Gigante era o mais velho capoeirista vivo no mundo. Se dedicou à arte mandingueira desde os anos 40, quando conviveu com Aberrê, Noronha, Barbosa, Traíra, Najé e outros capoeiristas afamados do passado.

Após perder a luta contra uma infecção respiratória, Gigante recebeu seu último golpe no Hospital Teresa de Lisieux e teve o corpo enterrado no Cemitério Campo Santo. Viúvo, deixou duas filhas e três netos. Apesar de mundialmente conhecido e de ser um dos mais importantes nomes da capoeira, que em 2014 recebeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, Gigante teve um enterro simples.

Ao som de berimbaus, com direito a uma roda, seu caixão foi carregado por outros mestres e colocado em uma carneira comum com apenas uma coroa de flores. A comunidade da capoeira e familiares juntaram dinheiro para bancar a cerimônia. Não houve contribuição governamental.

“Infelizmente Gigante confirma o destino dos mestres antigos, que morreram na miséria. Não têm qualquer apoio dos governos. Isso é um absurdo”, afirma mestre Itapuã, um dos que ajudou Gigante no final da vida. Nada era mais marcante em Gigante do que a qualidade de seu toque. Poucos extraiam som do berimbau com tanta perfeição.

“Tanto que tocava em tudo que é roda. Tinha trânsito livre”, lembra Itapuã. “Gigante tocava berimbau. Tocava muito bem. Estava presente em formaturas, festas, shows culturais. Um cara muito importante para a capoeira. Ensinou muita gente a tocar. Uma perda gigante para a capoeira”, destaca Marinalva Machado, a Nalvinha, filha de mestre Bimba.

Conhecido também por compor cantigas e ladainhas tocadas nas rodas de capoeira, gravou o disco O Canto do Berimbauman, projeto do pesquisador e escritor Frede Abreu, morto em 2013. Segundo o próprio Frede escreveu, o disco apresentava a “perfeição do toque do berimbau de Gigante”. “Um trabalho que mostra a importância de Gigante para a musicalidade da capoeira”, afirmou o contra-mestre Sapoti, que também participou das gravações.

Uma de suas músicas mais famosas ironizava justamente a sua estatura, que não passava de 1,50m. “Meu pai era pequeno, minha mãe também. Por favor não me critique, que eu não critico ninguém. Eu sou pequeno, meu berimbau é grande. Na roda de capoeira eu toco São Bento grande”.

0 comentário(s)

Seu nome:
Seu comentário:
Todos os direitos Reservados a Rádio Estação Capoeira.
Sistema criado por Webservic